sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Crítico até certo ponto



No curso de Jornalismo, da UFMA, ainda não fiz a disciplina Crítica da Mídia, e, até onde me informaram, é nela que aprenderei a fazer críticas, compreender e ser mais atento às informações disponíveis nos meios de comunicação.

É notório meu voto em Aécio Neves. Um voto muito mais por protesto e corporativismo partidário, do que por simpatia. Em suma, meu voto é menos Dilma, do que mais Aécio, se é que me entendem.

Voltando ao tema... A disciplina citada acima é o verdadeiro mote desta postagem. Leio vários blogs e textos por dia, sou um viciado nessas informações. Ora leio postagens contra a Dilma, ora contra Aécio. Nesta "zapeagem internética", percebo que a brasa é constante e as sardinhas também. Cada jornalista/articulista/blogueiro/ou-metido-a-jornalista-articulista-blogueiro joga o peixe que lhe convém dentro do fogo e assanha a brasa. E é aí que entra meu pretenso senso crítico: a minha leitura é atinada para quem produz, mas republico conforme minha conveniência.

Assim, hoje pela manhã, o Ricardo Noblat, cuja produção textual sou fã, apresentou um artigo que é exemplo do que falei acima. Ele é um articulista que publica sem mudar a cor da tinta da pena. É um cara que a gente lê, mas sabe quem, como, quando e por quê quer atingir. A exemplo do Noblat, porém, numa qualidade muito duvidosa, no Maranhão existem infinitos blogueiros, que a gente lê, mas sabe o que irá encontrar. Por isso, se quiser escutar elogios aos seus heróis, leia Fulano, mas se quiser ver os seus heróis morrerem de overdose, leia Beltrano (não citei os nomes para não alimentar os egos).

É a informação sendo consumida, e diluída, conforme nossas crenças e conveniências. Por isso me empolgo com os debates, um tipo de programa feito para você assistir com seu lado definido, seja pra torcer contra, seja a favor. E são neste debates que brinco, faço pilhérias, mas no fundinho de minha alma, tenho as minhas convicções de quem, como, quando e o porquê de A ou B ter se saído melhor, ou pior, nesses confrontos.



Minha paixão não antecede minha razão!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

E então, sudestinos e sulestinos?



Eu cresci liso, sem brinquedos, sem a tão sonhada bicicleta e tantos outros devaneios de um garoto pobre. Infeliz? Nunca! Fui bem criado por duas velhas senhoras e também me embalei nos braços da Divina Mãe Senhora Madre Deus, em suas músicas, batucadas, correrias de canto a canto, banhos de maré e poço, pescarias e a velha pelada de fim de tarde no Caldeirão/Campinho.

Essa saga fortaleceu meu ego. Não piso, ou pisei, em alguém para ter meu sorriso e foco numa vida melhor do que a da infância. Ando de nariz erguido com orgulho desse passado, dessa história. Tenho orgulho de ter nascido na Madre Deus, em São Luís, no Maranhão e no Nordeste.

Sou da terra das praias ensolaradas, dos entardeceres avermelhados onde o sol beija o mar diariamente. Sou da terra de Aluísio e Arthur Azevedo, Gonçalves Dias, João do Vale, Joãozinho Trinta, Erivaldo Gomes, Boscotô, Joãozinho Ribeiro, Zeca Baleiro, Antonio Vieira, Veloso, Amarelo, Cristóvão Alô Brasil, Alvinho e tantos outros artistas que admiro.

Nunca me senti inferior a ninguém. Nem por ser nordestino, maranhense ou brasileiro. E esse ódio todo contra os nordestinos, repetindo 2010, me fez lembrar o que uma amiga de trabalho falava: “Parece que apenas advogados e médicos trabalham, o resto todo mexe com alguma coisa. ‘O que Fulano faz? Ah, ele é médico. E Beltrano, esse daí mexe com jornalismo’.” O povo carrega tanto a gente de adjetivos e quando vamos nos referir a eles, falamos: “Esse povo de São Paulo”, “esses cariocas”, “esses gaúchos”. Creio que aí resida um ranço de inferioridade, um acanhamento geográfico, incutido em centenas de anos de cabeça chata e baixa.

Somos nordestinos? Sim! Então, que eles sejam sudestinos e sulestinos, doravante, como, revoltada, me ensinou uma velha professora.

Não voto em Dilma, mas respeito quem a defende. Votarei, até hoje, em Aécio, porém, esse ódio gratuito e desmedido, me faz pensar seriamente se coaduno com quem desmerece minha terra ou se voto protestando contra essa ignorância.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

DELL HELL



Quem carrega no lombo o ranço de uma infância pobre, quase sempre acaba brilhando, instintivamente, os olhos às marcas ditas "BOAS" e caras. Ao cair nesse engodo, investi quase 3 mil reais numa máquina  DELL, que só faltava falar.


Nos vídeos promocionais da empresa tudo são flores. Atendimento rápido, moço batendo na porta de casa segundos após seu computador travar e por aí vai...



Pois bem, minha poderosa máquina queimou o HD em menos de 3 meses de uso e emudeceu. E, os trabalhos executados ao longo dos nove primeiros meses de 2013 foram para o inferno, já que o suporte NÃO ESTÁ AUTORIZADO A FAZER BACKUP.



Assim, acionado o suporte, me deram quatro dias para chegada do novo HD para substituição do antigo. Quatro dias viraram quatorze e a gentileza pré-venda virou uma sequência de mistérios, onde ninguém pode falar nada sem a devida verificação de que eu não sou um terrorista ou ladrão, mesmo de posse de todos os números, senhas, nomes e sobrenomes ligados à máquina/compra.



Juro que minha antiga máquina, uma da Ibyte, cujo carregador quando deu problema e trocaram nas mesmas duas semanas, deu saudade agora (inclusive é ela, emprestada por minha filha) que agora me alenta.



Amigos, não sei para os outros, mas para mim a DELL agora é HELL. Triste experiência.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

CEJA BEM VINDO



É fasinho, gente. Tém dicionário na internet, a gente encontramos, bastando procurar, sites com informações sobre palavras, dúvidas sobre acentos, mais asim mesmo as pessoa ainda consegue escrever doidices sem nexos aqui no facebook. 

Dá até pra entender, mas a gente fica preocupado com quem faz essa produção textual aqui na rede. Eu imagino o chefe de uma criatura dessas, lendo uma pessoa que não sabe a diferença entre várias pessoas e um investigador policial.

Abraços e bom dia.

PS: As falhas na grafia, no primeiro parágrafo, são 100% intencionais.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Madre Deus, mais uma vez...




Eu nasci na Rua do Norte, Centro de São Luís. Em 1973, na Maternidade Benedito Leite, às 5h da matina na segunda semana de agosto.

Agosto, um mês sem graça, sem feriado, dito como de “desgosto”. Mas assim mesmo um garoto de olhos verdes, cabelos pretos e muito pequeno, saiu nos braços da mãe e desceu a Rua de São Panteleão, rumo à nova casa.

De um lado a Madre Deus, do outro também.

Como diria Chico Buarque, “Deus é um cara gozador, adora brincadeira. Pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro...” e escolheu justamente a Madre Deus como minha morada, graças a ELE cresci ao som de tambores, retintas, pandeiros, fofões, cazumbás e matracas.

No escurecer dos céus, de novembro a fevereiro, as chuvas se apresentavam juntamente com a leva de brincadeiras e festas. As carradas de barro viravam campos de peteca. Os chuviscos de fim de tarde, esfriavam o asfalto para a pelada começar mais cedo no Campinho, Pça. Demerval Rosa, ou Caldeirão.

Em janeiro as primeiras rezas para São Sebastião, no pau dele, lógico. Em fevereiro as primeiras batucadas vindas da Rua 3, dos Fuzileiros da Fuzarca,  do Largo do Caroçudo e de bem próximo à minha casa, do Unidos do Regional Tocados a Álcool. Bloco organizado para ensaiar em frente onde hoje é o Ceprama.

Os repiques do repique eram ouvidos de longe. Se eu conseguisse escrever a onomatopeia de minhas lembranças, exporia todos os ra-ta-tás agora. O URTA tinha um canto característico quando ia cruzar com outros blocos. Nele bombas de uma guerra-magia, onde ninguém matava ou ninguém morria, era dito cadenciado, numa forma de intimidar ou impor uma atravessada no compasso.

O bloco ensaiava na esquina da Rua São Pantaleão com a Rua Lúcio de Mendonça (Rua 2). Caminho para a Padaria de Seu Mário e Quitando do Seu Ari. Todas as tardes eu tinha que ir comprar pão, manteiga, enrolada em papel, e uma quarta de café, torrado e moído na hora, na padaria.

Os ensaios atraíam de bêbados a fofões, sendo estes últimos os consumidores de meu sossego. Então, já dá para compreender como essa façanha era perigosa. Para comprar pão, café e manteiga eu passava correndo pelo ensaio do URTA e fechava rapidamente os olhos quando avistava os fofões. Graças a Deus eu não tinha labirintite na época, senão não daria uma passada sem tropeçar.

A vida naquela rua, naquela época, com aqueles toques, cheiros, sons, costumes rende um livro. Sendo este, talvez, o primeiro passo para o registro destas memórias...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O poder da criação




Lendo a letra de Poder da Criação, de João Nogueira, chego a acreditar que para escrever a coisa é bem parecida. A diferença é que a corda, a caçamba e as batucadas são abstratas. Mas o texto é assim, vem vindo sem dizer nada, sorrateiro, com as letras pulando na frente uma das outras. 

Os parágrafos se arrumam bonitinhos, um em cima do outro. Para o nexo, o escritor se deixa levar por uma magia que, na pressão ou no prazer, vem de qualquer jeito, sem muita feitiçaria.

É isso, que me perdoe João Nogueira, por tomar este hino como referência para meus impropérios.

Um dos mais belos sambas desta e de todas as galáxias conhecidas pela Nasa.