quinta-feira, 12 de novembro de 2009

E no terceiro dia veio a escuridão. E disse Lobão:"se avião que é moderno cai, por quê nosso sistema de energia não haveria de cair?”


Quase 24 horas depois do apagão que forçou milhares de brasileiros a jantar sob luz de velas, o terror da Chapeuzinho Vermelho, Ministro Edson “Magro Velho” Lobão, deixou a culpa no colo de São Pedro, disse que as chuvas e o mau tempo foram os verdadeiros responsáveis pela falta de energia em 18 estados da Federação, na noite e madrugada de ontem, dia 10 de novembro.

Um amigo que mora em São Paulo me confidenciou que os pacientes das UTIs prenderam momentaneamente a respiração até o ligamento dos geradores, no hospital que ele trabalha. Mas que a tristeza se abateu mesmo foi nas pessoas que ficaram presas em elevadores, não conseguiram pegar metrô para voltar pra casa ou mesmo os doidos que não levaram seu choque diário para acentuar a calma.

E o Lula, com seus dezenove dedos, tenta colocar a mão na frente do problema dizendo que o apagão dele é diferente do que ocorreu durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, motivo, na época, do racionamento de energia.

Mas sem perceber Lula deixa vazar, entre a brecha deixada pelo 20º dedo decepado, que não entende o que realmente aconteceu. E o Presidente Lula, com olhos compridos esperando um alento explicativo do Ministro Magro Velho (que entende de energia tanto quanto eu de física quântica) escuta como resposta esta elaborada e científica frase: “Se avião que é moderno cai, por quê nosso sistema de energia não haveria de cair?”.

A cantora americana Madonna, de passagem pelo Brasil, ofereceu Jesus Luz para ajudar caso o apagão retorne, já que ele além de ter nome divino, clareia a vida nas horas vagas.

“Vi morrer a luz, vi morrer o sol… Na escuridão de algum lugar nem as mudanças da estação irão mudar a emoção. Finda mais um dia e tudo vai recomeçar…” – A flor do vazio – Lobão ( o cantor)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Guia prático de Como tentar tapar o sol com a peneira ou lombo assado de “ex-tudantes”


INGREDIENTES:

- 1 dúzia de lombo de “ex-tudantes” (de preferência de escola pública do Estado, que esteja em greve e os alunos, sem aula, estejam com a cabeça “oficinada” pelo diabo). Cuidado para não pegar pessoas de bem, essas não aceitarão participar da fornada!

- Pouquíssimos Reais (moeda brasileira);

- Uma colher de pau, ou uma governadora cara de pau, ou um secretário pau mandado ou um pau de virar tripa, também secretário;

- Um inimigo comum: A VERDADE;

- Petulância. (não confundir este item com CORAGEM, esta é para os bravos);

- Vários impressos apócrifos e sem conteúdo;

- Uma pitada considerada de desespero;

- 1/2 dúzia de ovos;

- 1 tubo de Calminex ou Vick.


MODO DE PREPARO

Em uma panelinha misture devagar os estudantes e os poucos Reais. A mistura deve ser lenta devido a gana dos estudantes por dinheiro. Se colocar tudo rápido pode formar caroço antes do tempo e um querer pegar mais Reais que o outro.

Com uma colher de pau, ou um secretário pau mandado, tanto faz. Misture um pouco da PETULÂNCIA e os impressos apócrifos e sem conteúdo. Muito calma nessa hora! O cheiro dessa mistura é desagradável, mas depois de esquentado dá gosto de ver o couro do lombo assando.
Após essa mistura toda, com uma pitada considerada de desespero, coloque os 6 ovos nas mãos dos “ex-tudantes”. Pegue o restante da petulância que sobrou e dê uma salpicada sobre a cabeça dos aprendizes-de-marginal.

Leve ao honorável forno e espere começar a ferver. Nessa hora se você sentir o mau cheiro de couro ardendo não se assuste, é normal, mas espere arder mais alguns minutos para poder tirar do forno.

Unte os estudantes com Calminex ou Vick, para amenizar a dor, e sirva-os de bandeja para os devidos enxovalhos.
Agora com o produto final em mãos coloque em frente aos raios de sol e veja se consegue impedi-lo de raiar. Com esse assado prova-se que a VERDADE pode até ser atacada pela PETULÂNCIA, mas no final, após desligado o intempestivo forno, prevalece o bom senso.


ESTA RECEITA FOI APRESENTADA NA QUARTA-FEIRA PASSADA, DIA 04, NO SINDICATO DOS BANCÁRIOS EM SÃO LUÍS. QUEM ESTEVE PRESENTE PODE CONSTATAR A FACILIDADE QUE A PETULÂNCIA TOMBA FRENTE À VERDADE E ÀS PESSOAS DE BEM.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Marketing é tudo - Roseana, faz “chover enxofre” e toma para ela ações de Jackson Lago



Numa época carente de internet, blogs e meios de comunicações on time Deus, revoltado com a putaria que comia solta, literalmente, em Sodoma e Gomorra, fez chover enxofre e fogo naquelas cidades. Quem ousasse olhar para trás na hora da chuva dos infernos celestes era tranformado, na hora, em estátua de sal.


Deus, com poucos escribas para divulgar essa chuva pirotécnica, começou a renovar o “mundo” com pessoas puras e receosas em fazer o mal, já que Sodoma e Gomorra haviam capitulado sob suas próprias imoralidades.


Fogo dos céus e enxofre purificaram a humanidade. E Deus, mostrando anteriormente o mal explícito, pode agora confrontá-lo com o bem. Provando à humanidade seu divino e onipotente poder. Em outras palavras, Deus apagou o mal e mostrou para o homem o bem, marketing gratuito para o Todo Podereso. Já que ele, com um estalar de dedos, poderia anteriormente evitar o surgimento desse mal.


Pelas barbas de Er(r)os Grau o governador Jackson Lago virou estátua de sal e foi obrigado a deixar o governo do estado pela metade. A filha de Sarney de Ló, Roseana Sarney, que emprenha pelos ouvidos e temores do velho pai, retornou ao comando do estado do Maranhão, a filial de Sodoma nestas terras abaixo da Linha do Equador.


Sob o livre arbítrio de Roseana a violência começou a andar livremente pelas ruas e avenidas do Maranhão. Munição para fazer chover enxofre sob a marginalidade a filha de Ló tinha. Mas, a bela Roseana esperou os números ficarem altíssimos e o povo ter medo até de sair na porta de casa.


Com viaturas em processo de compra desde o começo do ano, ainda no governo e secretária passados, Roseana guardou sua chuva para a hora oportuna. No auge do império da maldade ela quis parecer Deus destruindo Sodoma e Gomorra. Colhendo para si os louros da diminuição da violência.


Só que Deus é único, não pode ser copiado. Assim como o empenho do governador deposto e sua secretária de segurança.


E Roseana, querendo aparecer mais que as filhas de Ló, que deram continuidade ao seu povo embriagando o pai e copulando com ele, floreia em papéis e internet que a “chuva de enxofre” sob a violência do Maranhão é mérito dela.


É notório, porém, que Roseana num livre arbítrio administrativo deixou fluir demasiadamente o mal para parecer salvadora agora. Já que há cinco meses as viaturas estavam à disposição do estado para irem às ruas. De Patrulha do Bairro para Ronda da Comunidade, essa foi a grande e verdadeira ação de Roseana na segurança do Maranhão. Uma troca de nomes é esta a real mudança.


E os meios de comunicação sob seu jugo, TV Mirante, Rádio Mirante, Jornal Estado do Maranhão e Imirante, são os escribas da boa nova: Roseana livrou o estado do Maranhão da violência.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Grávida Elétrica: Catirina come na Litorânea língua salgada do boi



Um dia Catirina prestes a parir teve um grande desejo, comer a língua do boi mais bonito da fazenda, com pirão de farinha d’água e jerimum. Pai Francisco, seu marido, sem pensar duas vezes mandou a língua de Mimoso, o boi, para a panela.

De um cozido de língua para um sururu generalizado


Com a raiva do patrão foi pisa dos caboclos em Pai Francisco e aflição pra Catirina. No meio da confusão pajés ressuscitam Mimoso, que sem língua mugia baixinho. E desde então essa cascaria no meio da fazenda envolvendo um boi saboroso, uma grávida desejosa, um criado sem medidas, um patrão raivoso, caboclos metidos a capatazes e pajés com o poder de Cristo para ressuscitar bois, são as personagens do Auto do Bumba-meu-boi, maior expoente do folclore maranhense.


Da Cultura pra Saúde – A saga do cazumbá pós-moderno


Que Catirina estava grávida e o seu desejo por uma língua de boi foi o maior causador dessa história, criando com isso o bumba-meu-boi, ninguém duvida. Mas ao colocar num trio elétrico na Litorânea Catirina e família, atribuição essa que deveria ser da Secretaria de Cultura, o Secretário de Saúde (?) Ricardo Neo-cazumbá Murad brinca com a boa vontade dos maranhenses.


O cazumbá pós-moderno, Ricardo Murad, sentindo-se uma mistura de pajé com o amo da história de Catirina, tenta ressuscitar o finado Marafolia, agora com lantejoulas e uma estrela na testa, com o nome de BUMBA ILHA. Até abadá, a toque de caixas madre-divinas, será trazido das trevas sob a alcunha de “couro-de-boi”, a famosa pipoca baiana será denominada desta vez de mutuca. Mutuca para quem não sabe é uma caba (vespa para os sulistas) em tamanho menor e com ferrão reduzido, obviamente.


Novo Auto do Bumba-meu-boi Elétrico ou como fazer Catirina sair do interior e subir buchuda num trio elétrico na Litorânea.


Para Catirina, Pai Francisco e companhia saírem da Cultura para a Saúde teríamos que reescrever o Auto e dar ênfase a alguns pontos marcantes dessa peleja bovino-maternal.


Catirina: por estar grávida irá tentar ser atendida na Maternidade Marly Sarney, sentindo fortes dores e na iminência de parir. Após a tentativa frustrada de atendimento, já que os funcionários estarão na porta da maternidade reclamando a demissão em massa de várias pessoas, Catirina voltará para casa revoltada com a Secretaria de Saúde do governo do TSE e de passagem pela feira da Cohab pediria a língua do boi, numa forma de saciar seu desejo de grávida. Não atendida em seus desejos prenhes, Catirina revoltada vai com Pai Francisco atrás de Mimoso lá perto do Clube de Veraneio do IPEM, na Litorânea. Vendo Chagas da Maioba, Humberto de Maracanã, Inácio Pinheiro do Barrica e Roseana do Sarney em cima de um trio elétrico, Catirina sobe e enche a cara de catuaba, para matar o desejo que tem por Mimoso.


Pai Francisco: depois de várias pancadas dadas pelos capatazes do dono da fazenda em sua moleira, por causa do “boiticídio”(crime contra a integridade física do boi) precisará ir ao Hospital do Ipem urgentemente, já que é aposentado pelo Estado. Como Francisco esquece em casa o seu contracheque, para provar seu enlace com o IPEM, o atendimento é negado e ele passa horas por ali, nos corredores do hospital, até o sangue endurecer na sua cabeça. Catirina nessa hora incita o marido a ir pra Litorânea lavar o quengo pra tirar o sangue seco. Doida pra subir no trio elétrico e encontrar com Chagas da Maioba, Humberto de Maracanã, Inácio Pinheiro do Barrica e Roseana do Sarney. Termina com Catirina e Pai Francisco enchendo a cara de catuaba, para matar o desejo que ela tem por Mimoso e Francisco para amenizar a dor.


Mimoso, o Boi: vacinado ainda no governo Jackson Lago contra a aftosa, mimoso é um boi belo, coxões grossos e mugido agudo. Para mugir desse jeito tem que ter uma língua grande, coisa que causa curiosidade e desejo em Catirina. Mimoso no seu instinto animal sente a vontade de Pai Francisco em matá-lo e corre para a Litorânea. Morto, Mimoso é ressuscitado pelo Cazumbá pós-moderno, metido a pajé, Ricardo Murad.


Apesar de ser de ferro a Patrulha do Bairro também muda de couro nessa peleja “junho-novembrina” e passa a chamar-se, nestes tempos de boi na praia, de Ronda Comunitária.


E todos, de Godão a Bulcão, aplaudem a tão sonhada fusão do São João com Carnaval, laço estreitado desde a Natalina da Paixão, uma espécie de Boi Barrica “Bicho-terreado” no Natal.
Que venha agora a Asa de Águia de Maracanã, de matracas e pandeirões, com seu amo Durval Lélis do Maracanã, ou mesmo o Chiclete com Banana da Maioba com Bel da Maioba Chiadora, de maracá na mão.


Um aviso a Catirina:


Amiga Catirina, sei que és senhora do interior acostumada a tomar sol na roça, mas não esqueça que na praia o sol parece ser mais forte, passe protetor na barriga para evitar estrias e cubra a cabeça de Pai Francisco com chapéu. Já em Mimoso passe óleo de urucum, que além de corar ajuda a temperar.

Honoráveis incômodos


Nunca um lançamento foi tão esperado aqui no Maranhão. Nem o São João em novembro do Bumba-Ilha da Secretaria de Saúde, nem o Marafolia, finado Carnaval de outubro ou mesmo a estréia do filme O Dono do Mar foram tão aguardados quanto o lançamento do livro Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney.

Palmério Dória conseguiu colocar a unha literária bem no fundinho da ferida histórica da família Sarney: o enriquecimento inexplicável de quem sempre viveu da política.

Como um Jack Estripador da vida alheia, uma verdadeira comadre das entrelinhas da história, Palmério Dória segue em todas as 208 páginas de seu livro esmiuçando as passagens políticas do camaleão José Sarney. Sempre camuflado conforme a conveniência do momento, hora servil à Ditadura, hora baluarte da democracia.

Se o Lula há poucos afirmou que caso Cristo viesse hoje ao Brasil e fizesse campanha política, com certeza se aliaria a Judas pra conseguir votos. Sarney, seguindo as análises de Palmério Dória, se aliaria a Cristo, Judas, Barrabás e ainda lavaria o rosto com as sobras da água que Pilatos molhou as mãos.

O amor e a subserviência são cegos

Diz um antigo ditado que “quem o feio ama, bonito lhe parece”. Os amantes da política de José Sarney o acham um lindo homem público e saem quase que diariamente em defesa do guru, tentando achincalhar o escritor Palmério Dória, por causa do honorável livro.

O socialite Pergentino Holanda, citado em dois momentos no livro, colocou nota recente no jornal Estado do Maranhão falando que o Honoráveis Bandidos não é livro e quem tente ler, para tirar a prova, destrói o impresso ainda nas primeiras páginas, rebolando o livro de Palmério Dória nos vasinhos podres de chiques de lixo.

Hoje cedo subiu ao púlpito da Assembleia Legislativa o deputado estadual Joaquim Haickel. Culto e imortal, o deputado traçou severas críticas ao livro do Palmério Dória.

Dizendo-se apreciador de literatura e política, Joaquim Haickel afirmou em tom irônico que vai ler o livro e fez questão de errar várias vezes o nome do jornalista paraense. Política e literatura tendenciosa, este é o livro Honoráveis Bandidos, segundo o deputado Joaquim.
“Palmério Dória quer ganhar um dinheirinho, não acho isso errado”, finalizou o deputado.

O que achei do livro Honoráveis Bandidos

Duzentas e oito páginas foram poucas. Gostei desde o título do livro à orelha final. Ver escreverem sobre José Sarney sem medo de represálias por não depender financeiramente dele ou mesmo não ser maranhense e correr o risco de ser linchado por algum adepto dessa religião que é o Sarneysismo Atostólico Secretum Românico, torna prazerosa a leitura.

Certo dia num ônibus uma senhora me viu lendo em pé o livro e pediu para ver capa e contra-capa. A senhora falou que estava frustrada por não conseguir comprá-lo aqui em São Luís, aproveitei e fiz a propaganda do lançamento de amanhã.

O que mais gostei, por ter feito alguns períodos de História na UFMA, foi a cronologia desde a concepção do velho Sarney até as suas agruras com o Caso Lunus e o cerco ao filho Fernando. O dia de Yemanjá, dois de fevereiro, também é bastante citado. Yemanjá, Iara, Inaê, mar, dono do mar, por fim acaba desaguando no Atlântico mesmo.

Fico triste somente por ninguém ter avisado Palmério Dória que Alcântara não é uma ilha, é bem verdade que a maioria das pessoas vão pra lá de barco, mas quem é ilha é São Luís, Alcântara está grudada no continente desde a finada pangéia.

O Que: lançamento do livro do jornalista paraense Palmério Dória Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney

Quando: amanhã, 04 de novembro de 2009 às 19h

Onde: auditório do Sindicato dos Bancários de São Luís, na Rua do Sol, 413, Centro – São Luis.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CocaZina



E a história se repete… Novamente uma figura pública cede aos caprichos, ou melhor, pressões, da fama. Marcos da Silva Herrédia, Zina, ou “Ronaldo, brilha muito no curíntias”, foi pego nesta manhã com uma “paradinha” de pó.


Após reagir à prisão Zina foi encaminhado para ao 74º Distrito Policial, em Parada de Taipas, São Paulo.


O que será do humorista agora que ficou visível o motivo de eterno torpor? Dizem as más línguas que agora ele será conhecido como “CocaZina, cheira muito no curíntias”.


E como diria Raul Seixas: “quem não tem colírio usa óculos escuros…” ou pinta o cabelo com água oxigenada… Ronáldo…
Brincadeiras à parte o problema das drogas é mundial. Não escolhe cor, credo, idade ou país. E assim como a AIDS e o câncer, para as drogas ainda não existem vacinas.

Talvez tenha sido uma hora boa para o humorista do Pânico ser pego com o “nariz na botija”. Com a fama pode vir o apoio de amigos e um possível tratamento.

É triste ver uma pessoa afundar-se no novo “mal do século”, ou do milênio, como queiram.

Fica a nossa torcida para o Zina, que ele volte a brilhar sóbrio no Corínthians e na TV.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um despejo às vésperas de Finados


Dizem que o azarado é aquele que olha da janela chover dinheiro e ao correr para tomar banho de chuva cai, no mínimo, uma conta de celular atrasada em sua cabeça. Essa é uma tremenda falta de sorte, com certeza, mas creio que ter de entregar o mausoléu às vésperas do Finados é ser carregado no “tipi”, um mal agouro sem precedentes.

É a ironia da vida, Sarney em Brasília defendendo os sem-terra, logo na hora que ele vira um sem-cova. Numa reunião no dia 29 de setembro o Senador bradou: “Sou contra a criminalização do movimento sem-terra e apoio a construção de uma proposta que represente o aumento de recursos para implementação de uma meta ousada de assentamentos no campo.” Resta saber se alguém se habilitará a dar um cantinho do assentamento para o ex-presidente da República recostar sua mortalha sobre a terra.

Sem sua pomposa catacumba no Convento das Mercês, devolvida ao Estado por ordem da Justiça Federal, e com o fechamento recente da Fundação José Sarney, restará ao velho Sarney doar todo o extenso acervo de obras de arte, documentos históricos assinados por ele mesmo, infindas cópias de Saraminda, O Dono do Mar e Marimbondos de Fogo, todas devidamente dedicadas aos futuros e propensos romeiros de seu finado mausoléu.

E após a morte, destino certo de todo ser vivente, para onde vai o corpo do Senador do Amapá? Será que vai ser enterrado em cima da Linha do Equador ou na Ilha de Curupu?

Eu escolheria a Ilha Curupu, imagino que ao ser enterrado sob a Linha do Equador um espírito corra o risco de ficar vagando entre os hemisférios, ora no Norte, ora no Sul, no desassossego infernal de fazer inveja a Ana Jansen e Jerumenho juntos.

Qual será o epitáfio?

Segundo Palmério Dória, no livro Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney, na lápide cinzenta, tanto quanto a trajetória política do Senador, poderão constar as seguintes frases criadas por Carlos Castelo e Paulo Caruso, respectivamente:

- Aqui jaz o dono do mar, do bar, da venda, da televisão, do jornal, do mausoléu, da rua, da avenida, do Estado…

- Aqui jaz Sarney, o presidente que queria ser a Dercy Gonçalves.

Abaixo as minhas sugestões:

- Fui… brasileiros e brasileiras.

- Fiscais do Sarney, morri e fui enterrado abaixo da tabela.

- Ulisses Guimarães, Michael Jackson e Tancredo Neves achavam que iam depois de mim.

Se quiserem enviem mais epitáfios, eu os publico.